sexta-feira, 2 de outubro de 2009
FEQ-Unicamp aprimora processos para produção de novos fármacos e de ‘cosmefármaco’

Por mais revolucionária que seja a tecnologia desenvolvida no laboratório de uma universidade ou centro de pesquisa, ela não terá condições de ser aplicada diretamente pela indústria se uma etapa nevrálgica do processo de transferência do conhecimento não for bem equacionada: o escalonamento. Em outras palavras, é preciso assegurar que os resultados obtidos na bancada sejam reproduzidos de maneira eficiente em escala industrial.
Pesquisadores da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Unicamp dedicam-se atualmente ao escalonamento de três tecnologias que prometem trazer impactos positivos para a saúde e o bem-estar do brasileiro. Caso venham a se transformar em produtos comerciais, elas ajudarão a combater a leishmaniose cutânea, a tuberculose, a osteoartrite e até mesmo rugas de expressão, problemas que afligem milhões de pessoas no país. Os estudos contam com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e empresas privadas.
Os trabalhos vêm sendo realizados no Laboratório de Desenvolvimento de Processos Biotecnológicos (LDPB) da FEQ, por um grupo coordenado pela professora Maria Helena Andrade Santana. De acordo com ela, o objetivo dos pesquisadores é estabelecer processos e parâmetros operacionais eficazes para a ampliação da escala de produção dessas tecnologias, de modo que a indústria possa absorvê-los e aplicá-los. “Produzir algo em escala laboratorial é uma coisa. Produzir o mesmo em dimensão industrial é completamente diferente. Com frequência, temos que fazer adaptações ou promover alterações no processo laboratorial para alcançar a meta desejada”, explica. Muitas vezes, detalha a docente, o aumento de escala torna-se necessário para a obtenção de material em quantidade adequada até mesmo para ensaios pré-clínicos (em animais) e clínicos (em humanos).
Um dos projetos de escalonamento no qual a equipe está envolvida refere-se à produção de nanopartículas desenhadas para promover o transporte e a liberação controlada de um fármaco usado no tratamento da leishmaniose cutânea. Os testes realizados em laboratório com modelos animais, que contaram com a colaboração de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apontaram que a nanocápsula contendo a medicação consegue penetrar nas camadas mais profundas da lesão, sem, contudo, atingir a corrente sanguínea. “Os resultados dos ensaios foram excelentes e o processo é passível de escalonamento”, analisa a professora Maria Helena. Segundo ela, o principal desafio dos cientistas foi desenhar uma partícula que cumprisse as funções desejadas. Eles optaram pelo uso de lipossomas, que são partículas lipídicas obtidas, nesse caso, a partir da lecitina de ovo. Entre as características dessas minúsculas cápsulas estão: elasticidade e capacidade de interagir com as células do organismo.
Sem essas peculiaridades dos lipossomas, conforme a docente da FEQ, não teria sido possível transportar e liberar controladamente o fármaco no ponto desejado. “Para se ter uma ideia, os lipossomas medem cerca de 100 nanômetros, mas os poros da pele têm somente 30 nanômetros de diâmetro. Ou seja, para atingir a área mais profunda da lesão e depois liberar o fármaco, o veículo teria que se deformar para passar pela superfície da pele. Nos ensaios que realizamos, nós vimos claramente que esse objetivo foi atingido”, afirma a coordenadora do LDPB. O processo já foi patenteado. Como as nanopartículas foram produzidas por um método não escalonável, devido ao custo das matérias-primas, os pesquisadores dedicam-se agora à definição de um modelo de produção que possa ser aplicado pela indústria. “Considerando os resultados preliminares, eu diria que estamos próximos dessa meta”, adianta a professora Maria Helena. Segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde, em 2008 foram registrados no Brasil aproximadamente 20 mil casos de leishmaniose cutânea.
Tuberculose
O segundo projeto de escalonamento executado pelo grupo do LDPB está relacionado com uma nova vacina de DNA contra a tuberculose, desenvolvida por pesquisadores da FEQ e da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, vinculada à USP. A ação atual está sendo realizada dentro do programa denominado Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), mantido pela Fapesp. Este Pipe é coordenado por Lucimara Gaziola de La Torre, atualmente professora da FEQ, que na sua tese de doutorado desenvolveu o veículo transportador da vacina. De acordo com a professora Maria Helena, os trabalhos estão se encaminhado para a fase final com sucesso. “Creio que em pouco tempo o processo já deva estar escalonado, com capacidade de produção para os ensaios clínicos e aplicação por parte da indústria”. O processo a que se refere a especialista envolve igualmente a produção de nanopartículas de lipossomas capazes de carrear e liberar o fármaco de forma controlada no organismo humano.
Os testes laboratoriais, também realizados com modelos animais, mostraram que o biofármaco, que já foi igualmente patenteado, tem capacidade de prevenir a tuberculose, moléstia que atinge cerca de 130 mil pessoas a cada ano no Brasil. A vacina de DNA, conhecida ainda como gênica, é considerada mais eficaz e segura do que a vacina convencional, normalmente preparada a partir de uma parte atenuada do agente causador da doença. Em ambos os casos, o objetivo do fármaco é induzir o sistema imunológico humano a produzir defesas contra o bacilo da tuberculose (Mycobacterium tuberculosis), mais conhecido por “bacilo de Koch”, por ter sido identificado pela primeira vez em 1882 pelo cientista alemão Robert Koch.
No que se refere à terapêutica gênica, porém, a ação do biofármaco cumpre um processo mais complexo. No lugar de uma proteína, ele veicula a informação genética extraída do micro-organismo. É essa informação genética que atua diretamente no interior da célula onde o bacilo fica alojado. A vacina tem a função de induzir a produção da proteína micobatecteriana e estimular de forma específica os linfócitos que combaterão a infecção causada pelo agente patogênico. De acordo com a professora Maria Helena, a previsão é de que a vacina inovadora seja aplicada em dose única, por via nasal.
Campinas, 28 de setembro a 4 de outubro de 2009 – ANO XXIV – Nº 443
Fonte:http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/setembro2009/ju443_pag03.php#
Pesquisa mostra como micotoxinas migram do cacau para o chocolate

Diferentemente das bactérias, que possuem estrutura simples e sem núcleo delimitado, os fungos são microorganismos que apresentam uma estrutura celular semelhante à do ser humano, embora com metabolismos diferentes. Durante sua multiplicação, os fungos podem dar origem a metabólitos secundários, alguns deles benéficos, caso da penicilina, utilizada como antibiótico, e outros maléficos, como as micotoxinas. Estas constituem metabólicos tóxicos com efeitos mutagênicos, teratogênicos e carcinogênicos.
Pesquisas conduzidas no Brasil e no exterior têm comprovado o desenvolvimento de fungos principalmente durante os vários dias da secagem das amêndoas de cacau, etapa que ocorre após a fermentação. Além da deterioração e consequente influência na qualidade do cacau e do chocolate, a presença de fungos vem sendo correlacionada a aspectos da saúde pública devido à possibilidade de formação de micotoxinas.
O Brasil se encontra entre os cinco maiores produtores mundiais de cacau e tem parte de sua produção destinada à exportação após determinados processos industriais. Com a globalização da economia, a qualidade dos produtos relacionada à segurança alimentar é determinante na sua aceitação. Apesar disso, inexistem no país dados sobre ocorrência e condições em que as micotoxinas são produzidas no cacau e derivados.
Com vistas à segurança da população e o descortino de novos mercados consumidores para os produtos brasileiros derivados do cacau, a veterinária Marina Venturini Copetti, atualmente professora da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), da cidade gaúcha de Itaqui, desenvolveu pesquisa relacionada a ele. O trabalho teve como objetivo acompanhar as diferentes etapas do processamento do cacau, desde a abertura dos frutos, passando pelo processamento primário nas fazendas e secundário nas indústrias processadoras, até a obtenção do chocolate, de maneira a avaliar as inter-relações existentes nas diferentes fases que determinam a ocorrência de fungos e consequentemente de micotoxinas nos produtos envolvidos.
A pesquisa deu origem à tese de doutorado que analisa fungos e micotoxinas do cacau ao chocolate, apresentada à Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp (FEA), orientada pelo professor José Luiz Pereira. O estudo, co-orientado pela pesquisadora Marta H. Taniwaki, foi realizado em parceria com o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), onde foi desenvolvida a maior parte dos experimentos. Durante o trabalho, Marina realizou estágio de doutorado na Denmark Technical University (DTU), em Lyngby, na Dinamarca, orientado pelo professor Jens Frisvad, onde foram realizados estudos de metabólitos secundários de alguns fungos isolados de cacau. A pesquisadora contou também com a colaboração da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), fazendas e empresas processadoras de cacau.
São várias as micotoxinas conhecidas e cada uma delas tem um sítio específico de ação. Uma das mais conhecidas são as aflatoxinas, cuja ocorrência está relacionada ao amendoim; elas podem desencadear problemas hepáticos e até desenvolvimento de tumores. Outra micotoxina bastante estudada é a ocratoxina A, de ocorrência relacionada a cereais e café, com ação nos rins. Como as micotoxinas são muito estáveis, podem originar problemas de saúde mesmo em quantidades baixíssimas.
Data de cerca de quatro anos a preocupação maior em estabelecer limites internacionais para o grau de tolerância de micotoxinas no cacau. Como os grandes centros de pesquisa estão na Europa e EUA, onde não há produção de cacau, o que lá se detecta é principalmente a presença dessas toxinas em algumas amostras de chocolate ou nos produtos já processados adquiridos por essas comunidades. Assim, não existem trabalhos que acompanham todas as fases de processamento de cacau que permitam determinar o período crítico do surgimento dos fungos toxigênicos, bem como o da formação de micotoxinas e, em consequência, o que pode ser feito para contornar o problema ou minimizá-lo.
O caminho percorrido
Para o desenvolvimento da tese foi necessário, primeiramente, coletar amostras de cacau nas fazendas no sul da Bahia, principal região cacaueira do Brasil.
O fruto colhido é do tamanho de um mamão e tem cerca de 40/50 sementes envolvidas por uma polpa branca. O termo cacau pode ser atribuído tanto ao fruto quanto à semente. Uma vez rompida a casca do fruto, as sementes envolvidas pela polpa são colocadas em caixas de fermentação, onde a polpa servirá de substrato para o desenvolvimento de microorganismos, essenciais para a formação dos precursores do sabor de chocolate. No processo, que dura cerca de seis dias, desenvolvem-se inúmeros microorganismos, constituídos, inicialmente, de leveduras, depois bactérias lácticas e acéticas; e, nos últimos dias, podem surgir fungos filamentosos.
As amêndoas são então submetidas a um período de secagem, em geral nas chamadas barcaças, ficam ao sol durante o dia, sendo recobertas por um telhado móvel à noite. Nesse período, que dependendo das condições climáticas pode variar de 10 a 21 dias, ocorre a diminuição da umidade da semente, o que a torna estável microbiologicamente, ou seja, os microorganismos não são capazes de se proliferar mesmo na ausência de refrigeração. Marina constatou que esta fase é crítica para a proliferação de fungos e que, se as espécies toxigênicas estiverem presentes, podem levar à síntese das micotoxinas.
Ao chegar à indústria, o cacau é limpo superficialmente e sofre tratamento térmico para a remoção da casca protetora que retém grande parte da contaminação tanto de toxinas quanto de microrganismos, o que foi verificado pela análise da amêndoa e da casca. Na sequência, a amêndoa é quebrada em pedaços, originando os chamados nibs, que, submetidos à moagem dão origem, devido ao alto conteúdo de gordura e temperatura no processo, a um produto pastoso denominado liquor . Do liquor prensado surge uma fase sólida não gordurosa, a torta, e ocorre a eliminação da manteiga de cacau, que é o produto mais nobre, utilizada tanto para a produção de chocolates quanto de cosméticos.
Da torta moída origina-se o cacau em pó, que é submetido à alcalinização para facilitar a solubilidade em leite e que em geral chega ao mercado com adição de açúcar. Apesar da baixa presença de fungos nestas etapas industriais – uma vez que eliminados durante o processamento –, as micotoxinas depois de formadas permanecem estáveis durante todas as etapas, aderidas à fração sólida não-gordurosa, e são detectadas também no produto final, seja este chocolate ou cacau em pó.
Com a colaboração de seus orientadores, Marina seguiu o caminho do cacau, do fruto colhido ao chocolate encontrado na gôndola do supermercado, o que a leva a afirmar: “Trabalhamos com as sementes recolhidas dos frutos recém-abertos, acompanhando seu processo de fermentação, sua secagem, embalagem e armazenamento; checamos também as fases de extração da casca da amêndoa, a obtenção dos nibs, sua moagem e formação do liquor, a obtenção da torta, da manteiga, a produção do chocolate e colhemos amostras dos chocolates mais vendidos em supermercados. Em cada uma destas fases, analisamos a presença de fungos e micotoxinas”. O desenvolvimento desse trabalho exigiu análises de cerca de 500 amostras.
As descobertas
Os pesquisadores observaram inicialmente o surgimento de uma diversidade de fungos na fase da colheita ao ensacamento das amêndoas. Embora observassem alguns fungos, que podem originar micotoxinas já na etapa de fermentação, estes apareciam em quantidades mínimas. Os fungos toxigênicos proliferavam significativamente durante a secagem. Mas eles detectaram um problema maior: embora os fungos pudessem ser eliminados no processamento do cacau, as toxinas, por serem estáveis, se mantiveram inalteradas até o fim do processo industrial.
No desenvolvimento do trabalho, constataram que no cacau que saiu das fazendas a presença de micotoxinas em geral foi baixa quando seguidos os processos fermentativos tradicionais. O problema pode se agravar com a mistura do cacau brasileiro com o importado de baixa qualidade. Marina afirma que se o chocolate produzido no Brasil fosse processado a partir de frutos sadios, seguindo-se o período de fermentação, e não resultasse de adição de cacau de má qualidade importado, a presença das micotoxinas seria irrisória, pois, mesmo com a mistura, as quantidades detectadas são pequenas, em média abaixo de 0,5 µg/Kg de chocolate. Os organismos internacionais de controle atualmente estudam o estabelecimento de um limite máximo para ocratoxina em cacau e produtos de 1,0 µg/Kg. Foi observado ainda que praticamente toda a micotoxina concentra-se na torta de cacau e não na manteiga, tornando o chocolate branco quase que isento de contaminação.
Ao ser levada a verificar porque determinadas amêndoas produzidas no Brasil apresentavam contaminação maior por ocratoxina, Marina constatou que o problema tem origem em prática incorreta. Alguns fazendeiros têm adotado a prática de não fermentar as amêndoas, que são levadas diretamente para secagem. Esta prática impede o desenvolvimento de alguns microrganismos que secretam ácidos que inibiriam a multiplicação de fungos toxigênicos. Nestes casos, proliferam os fungos e há um maior nível de toxina produzida. Esse procedimento, diz ela, é adotado principalmente porque permite o ganho de tempo e a redução do trabalho com a eliminação da etapa de fermentação. Além disso, em algumas fazendas, parte da polpa é retirada para produção de geléias e sucos.
Marina Venturini Copetti revela muita satisfação em relação aos resultados alcançados: “Fizemos experimentos que nos possibilitaram concluir que a fermentação com a polpa é importante para evitar a ocorrência da ocratoxina, o que nos permitiu deduzir o importante papel dos ácidos orgânicos formados no processo, pois possivelmente são eles que inibem a multiplicação dos fungos. Constatamos que o desenvolvimento de fungos toxigênicos ocorre de maneira determinante na secagem, pois encontram umidade adequada e não têm competidores. Percebemos que praticamente toda a toxina fica no cacau e uma percentagem muito pequena vai para a manteiga. Vimos que essa toxina se mantém estável durante todos os processamentos e que, uma vez produzida, chega até o produto final. Por tudo isso, foi um trabalho que eu gostei muito de realizar”.
Para atenuar a ocorrência de fungos, Marina sugere a fermentação apropriada do cacau, a limpeza das barcaças, removendo os resíduos das secagens anteriores e uma secagem das amêndoas em um período não muito prolongado, se necessário com utilização de secadores artificiais, para evitar maior tempo de multiplicação fúngica pela presença de umidade, mas de forma a permitir que os ácidos que se formaram durante a fermentação possam ser volatilizados, sem o que as amêndoas teriam seu sabor comprometido.
Como a Europa se prepara para estabelecer uma legislação restritiva à presença de micotoxinas no cacau que lhes chega, ela teme que se o Brasil não fizer o mesmo em tempo hábil lhe possa ser vendido o produto de qualidade inferior, rejeitado por aqueles mercados.
Campinas, 28 de setembro a 4 de outubro de 2009 – ANO XXIV – Nº 443
Fonte:http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/setembro2009/ju443_pag05.php
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Estudos revelam existência de água em Marte e na Lua

24/09/2009 - 03h20
Washington, 23 set (EFE).- A Lua e Marte, corpos do sistema solar que se acreditava eram absolutamente áridos, na realidade contêm água, segundo revelam estudos baseados em observações de instrumentos da Nasa divulgados hoje pela revista Science.
No caso de Marte, os instrumentos e câmaras da sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) indicam que em crateras de meteoritos entre o polo norte e o equador marciano poderia haver sob sua superfície água que é em 99% pura, assinalou um dos estudos.
"Sabíamos que havia água sob a superfície nas latitudes altas de Marte, mas esta se estende muito mais próxima do equador que o que se achava", indicou Shane Byrne, cientista da Universidade do Arizona.
Byrne, encarregado da câmara de alta resolução instalada na sonda MRO, indicou que "o outro descobrimento surpreendente é a pureza do gelo exposto nas crateras causados pelo impacto dos meteoritos".
O cientista explicou que devido a que a água se acumula sob a superfície se pensou que esta seria uma mistura de pó e líquido.
"Mas pudemos determinar, dado o tempo que demorou o gelo em desaparecer, que a mistura é de 1% de pó e 99% de gelo", indicou.
Há 40 anos, quando os astronautas das missões Apolo da Nasa trouxeram pedras lunares as puseram em caixas que tinham filtragens.
Isto levou aos cientistas acreditarem que o ar da Terra tinha contaminado os contêineres e a descartar a ideia que pudesse haver água no satélite natural.
No entanto, Larry Taylor, da Universidade do Tennessee, assinalou no estudo que as últimas provas e experimentos científicos indicaram que essa suposição era errônea.
"Nos enganamos. Como havia filtragens nos contêineres supusemos que a água provinha do ar terrestre", assinalou.
Taylor e sua equipe de cientistas usaram um instrumento da Nasa montado no satélite indiano Chandrayyan-1 para analisar a luz que reflete na superfície lunar a fim de determinar seus materiais.
Esse instrumento detectou longitudes de onda que indicariam um enlace químico entre dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio para formar a molécula de água (H20).
Segundo o estudo, na Lua existiriam dois tipos de água: exogênica, proveniente de objetos externos como meteoritos ou cometas que fizeram impacto na superfície, ou endogênica, ou seja, proveniente de seu interior.
Taylor e sua equipe assinalam que é muito possível que a água que se detectou na lua tenha uma origem endogênica.
"Os isótopos de oxigênio que existem na Lua são iguais aos da Terra, por isso seria difícil, se não impossível, estabelecer a diferença entre a água da Lua e a água da Terra", manifestou Taylor no estudo.
Fonte:http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2009/09/24/ult1809u18080.jhtm
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Novo laboratório do IAG pesquisará origem e desenvolvimento da vida no contexto cósmico

Cristiane Sinatura / USP Online
cristiane.sinatura@usp.br
Bastante difundida no meio acadêmico e científico internacional, a astrobiologia – ciência que estuda a vida no cosmos, sob o viés de várias áreas do conhecimento – está prestes a consolidar seu espaço no Brasil. Em Valinhos, interior de São Paulo, o Observatório Abrahão de Moraes, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, vai ganhar uma câmara de simulação de ambientes extraterrestres – a primeira do tipo no Hemisfério Sul –, que já está em construção e deve entrar em funcionamento a partir de 2010.
Trata-se de um dispositivo que permite a regulação de parâmetros como radiação, pressão, composição atmosférica e temperatura, de forma a simular as condições de outros ambientes cósmicos, como meteoritos e planetas, e também da Terra primitiva. Atualmente, o grupo de astrobiologia do IAG, coordenado pelo professor Eduardo Janot Pacheco, realiza experimentos no Laboratório Nacional de Luz Síncroton, em Campinas.
Douglas Galante, pós-doutorando em astrobiologia no IAG e um dos primeiros doutores brasileiros na área, explica que, com a nova câmara em Valinhos, será possível explorar de maneira mais complexa e precisa a origem, o desenvolvimento e a manutenção da vida. Para isso, serão submetidos aos ambientes simulados micro-organismos capazes de sobreviver em situações extremas – os extremófilos -, coletados em regiões como o deserto de Atacama, no Chile, a Antártica e os Andes.
A câmara será aberta a toda a comunidade científica que submeta projetos de pesquisa. Futuramente, servirá também ao curso de graduação em astronomia do IAG, por meio de oficinas nas quais os alunos poderão realizar experimentos ao longo de uma semana. E, como o observatório de Valinhos recebe visitas da comunidade não-científica, a idéia é que a câmara possa também ser aberta à visitação, como forma de divulgação científica e expansão da astrobiologia. “Queremos transformar o Observatório de Valinhos em um polo de pesquisa e ensino na USP, com um grande potencial a ser explorado”, afirma Galante.
Interdisciplinaridade e parcerias
Junto à câmara, será construído também um laboratório de química e biologia, para a manipulação adequada dos extremófilos, já que as amostras são altamente sensíveis a contaminações. Isso reforça a inter e multidisciplinaridade que caracteriza a astrobiologia, que inclui também conhecimentos da física e da geologia.
O projeto da câmara teve origem a partir dos estudos do grupo de astrobiologia do IAG, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Para a construção da câmara, o grupo conta com o apoio da Escola Politécnica (Poli) da USP, responsável pelo projeto mecânico e eletrônico. Financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a câmara terá custos de um milhão de reais.
Em seus estudos, o grupo do IAG também tem parcerias com o Instituto Oceanográfico (IO) da USP, a Pontifícia Universidade Católica do Chile, a Nasa, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Universidade Mauá. Com a Nasa, o grupo mantém um projeto de lançar extremófilos em balões. Já com a Universidade Mauá, os planos são de construir um satélite para experimentos biológicos.
Atualmente, o grupo está envolvido em projetos que estudam a origem da vida e a bioquímica em gelos cometários, a resposta biológica de micro-organismos em ambiente espacial e marciano, e também em ciência aplicada, para o desenvolvimento de materiais de uso espacial. Uma das principais teorias trabalhadas pelo grupo é a da panspermia, que colocam os meteoros e cometas como o “meio de transporte” pelo qual formas de vida bastante simples teriam chegado à Terra, há bilhões de anos.
Interessados em saber mais sobre as pesquisas em astrobiologia do IAG podem entrar em contato pelo telefone (11) 3091-2815 ou pelo email douglas@astro.iag.usp.br.Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
Fonte:http://www4.usp.br/index.php/ciencias/17476-revisado-novo-laboratorio-do-iag-pesquisara-origem-e-desenvolvimento-da-vida-no-contexto-cosmico
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Câncer e malária norteiam pesquisas de grupo de química orgânica de São Carlos

Cristiane Sinatura / USP Online
cristiane.sinatura@usp.br
No fundo do mar. É lá que podem estar substâncias importantes para o tratamento de doenças como câncer, tuberculose, malária, leishmaniose e mal de Chagas. E é lá que o Grupo de Química Orgânica de Produtos Naturais (GQOPN), do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP, concentra parte de suas pesquisas. O objetivo é a descoberta de substâncias químicas presentes em invertebrados e micro-organismos, com potencial de aplicação farmacológica e biotecnológica.
Membros do grupo mergulharam no litoral paulista e baiano e coletaram amostras de invertebrados como esponjas, ascídias, octocorais e briozoários, conforme conta o professor Roberto Berlinck, coordenador do GQOPN. Gradualmente, as amostras estão sendo submetidas a testes em outras instituições acadêmicas, com o intuito de identificar substâncias com potencial farmacológico. E quando elas são enviadas de volta aos laboratórios do IQSC, o GQOPN busca isolar as substâncias com atividades farmacológicas, para compreender por que algumas são ativas e outras não.
Até o momento, o estudo mais promissor realizado pelo grupo aconteceu em parceria com a Universidade da Columbia Britânica (UBC) no Canadá, entre 1997 e 1998. Foram isoladas substâncias da ascídia Didemnum granulatum, coletada no litoral paulista. Estas substâncias provavelmente se associam à filtração de raios ultravioletas, como um mecanismo de proteção da ascídia, cujo habitat são superfícies aquáticas expostas à luz.
Em testes laboratoriais, duas substâncias específicas, a granulatimida e a isogranulatimida, apresentaram alto potencial de inibição do desenvolvimento de células cancerígenas, de maneira bastante seletiva, sem efeitos tóxicos aparentes. Aprovada em 2001, a patente dos estudos foi licenciada a uma indústria farmacêutica canadense, após concordância da USP e UBC. Atualmente, as substâncias seguem em fase de testes em laboratório.
O professor Berlinck conta que, no Brasil, existem apenas dois medicamentos regulamentados produzidos a partir de organismos da biodiversidade nacional. Um deles, o captopril, indicado para pressão alta, foi desenvolvido a partir do veneno da jararaca. O outro é o fitofármaco Acheflan, de aplicação anti-inflamatória, produzido com extrato da planta Cordia verbenacea, conhecida como erva-baleeira. Para ele, a fauna da costa brasileira ainda é pouco conhecida e explorada do ponto de vista químico e farmacológico, um dos motivos que levaram o GQOPN a centrar suas pesquisas no litoral.
Sobre a aplicação farmacológica de novas substâncias no tratamento de doenças específicas, o professor explica que “tanto o câncer como a tuberculose necessitam de uma busca contínua por novas alternativas, por conta da aquisição de resistência aos medicamentos atuais. Já doenças como malária, mal de Chagas e leishmaniose são típicas de populações menos favorecidas - o que quer dizer que há pouco investimento da indústria farmacêutica na produção de medicamentos para o tratamento destas doenças, por conta do baixo retorno financeiro”.
Os projetos do GQOPN envolvem alunos de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado, e acontecem em parceria com outras instituições, dentre as quais estão a UFSCar, a UFRJ, a UFPR, a Unesp em Araraquara e a USP em Ribeirão Preto. Mais informações sobre as pesquisas do GQOPN podem ser obtidas na página do grupo na internet.
FONTE:http://www4.usp.br/index.php/ciencias/17366-cancer-e-malaria-norteiam-pesquisas-de-grupo-de-quimica-organica-de-sao-carlos
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
MCT apoia criação de Núcleo de Estudos do Mar em São Vicente-Baixada Santista-"SCIENTIA VINCES"

03/09/2009
O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) anunciou na quarta-feira (02/09) seu apoio ao projeto da Unesp “Núcleo de Estudos Avançados do Mar- Um olhar para o pré-sal”.
O centro, que será instalado no Câmpus do Litoral Paulista da Universidade, em São Vicente, congregará 117 pesquisadores de diversas unidades da instituição e será voltado para o desenvolvimento de estudos nas áreas de Geologia, Oceanografia, Recursos Naturais, Recursos Pesqueiros e Meio Ambiente.
A iniciativa busca dar subsídios técnicos para a exploração de fontes de energia, como o petróleo localizado na região do pré-sal, sem perder o foco da conservação ambiental.
O projeto visa a formação de profissionais, sobretudo aqueles voltados à área de petróleo. Em um primeiro momento, pretende-se criar cursos de pós-graduação para a formação de recursos humanos qualificados nas atividades de pesquisa, inovação tecnológica e desenvolvimento de produtos e também nos processos e serviços relacionados ao mar.
O núcleo terá um conjunto de laboratórios que serão utilizados na forma de multiusuários e equipamentos de grande e médio porte. O projeto está orçado em cerca de R$ 30 milhões.
Seu caráter multidisciplinar possibilita também a criação de novos produtos a partir da biodiversidade, como também o estabelecimento de políticas públicas adequadas para o crescimento econômico da região.
O centro foi idealizado pelo reitor Herman Jacobus Cornelis Voorwald após uma conversa no gabinete do ministro Sergio Machado Rezende, em julho. A proposta encaminhada ao MCT foi elaborada pela Pró-Reitoria de Pesquisa.
"A unidade servirá de treinamento para a juventude da região. Os jovens que se formam em São Vicente e cidades próximas terão a oportunidade de se qualificar para atuar nos mais diversos segmentos que devem surgir a partir da exploração do pré-sal, por exemplo. Logicamente, teremos também demanda nas áreas de gestão de portos e, principalmente, em engenharia em ciências biológicas", destacou o reitor.
A Baixada Santista Merece-"Scientia Vinces"-VenceráS pela Ciência
fonte:http://www.unesp.br/int_noticia_imgesq.php?artigo=4500
Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Tabela Periódica Grástis

Esse link leva a um site da Associação Britânica de Indústrias Farmacêuticas onde é possível pedir,gratuitamente,uma tabela periódica(imagem preferida dos químicos(as)).
Aproveitem e usem com moderação,pois é possível escolher a quantidade de tabelas a serem enviadas.
http://www.blogcatalog.com/blog/amostras-gratis-e-brindes-gratis/03c235d5a3598ac76befbae0615d833f
Sigam os seguintes passos para solicitar a sua:
1) Clicando no Link você irá direto para a página de pedido da Tabela.
2) Em "Quantity" coloque a quantidade de tabelas que você quer. Vamos pedir com moderação, para que muitas pessoas possa usufruir do brinde galera!
3) Clique em Add do basket ( Adicione a cesta )
4) Confira se "The Periodic Table of Elements" está na sua lista de pedidos.
5) Em P&P for delivery to selecione a opção Rest Of Word ( Resto do mundo )
6) Clique em CheckOut
7) Preencha seus dados e clique em Continue
8) Confira se seu endereço está certo e clique em Continue
9) Pronto! Seu pedido foi feito. Agora é só aguardar...
domingo, 2 de agosto de 2009
Artigos-LÍQUIDOS IÔNICOS CONTENDO O CÁTION DIALQUILIMIDAZÓLIO: ESTRUTURA, PROPRIEDADES FÍSICO-QUÍMICAS E COMPORTAMENTO EM SOLUÇÃO

Esse artigo é sobre os líquidos iônicos,possivelmente o futuro em termos de solventes orgânicos,já que sua toxidade é baixa e problemas ambientais estão na vanguarda das pesquisas.
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-40422001000600021&script=sci_arttext
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