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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Grupo de Física Aplicada com Aceleradores usa física nuclear em benefício de áreas como medicina e arqueologia-USP


Camila Camilo / USP Online
camila.camilo@usp.br

Quando quem não é da área pensa em física, o que vem logo à memória são as aulas do colégio, com fórmulas e gráficos. Mas a disciplina é bem mais do que isso e mostra, através do trabalho desenvolvido pelo Grupo de Física Aplicada com Aceleradores do Instituto de Física (IF) da USP, seu potencial interdisciplinar em benefício da ciência. O trabalho do grupo consiste em usar métodos da física nuclear para testar objetos de outras ciências, identificando os elementos que os compõem e testando sua eficácia. Com trabalhos como esse, universos como obras de arte, odontologia, arqueologia, medicina, entre outros, mostram que têm mais a ver com a física do que se imagina.

Em virtude de uma demanda de pesquisadores de outras áreas que buscavam o IF para testar aquilo que produziam, na década de 1990, o instituto adquiriu um acelerador de partículas dedicado à análise de materiais. O grupo surgiu depois, em 2000, quando os professores Manfredo Harri Tabacniks, Márcia de Almeida Rizzutto e Nemitala Added, interessados em trabalhar com física nuclear em projetos de física aplicada, uniram forças para formar um espaço de colaboração entre pesquisadores. Atualmente, alunos de graduação e pós-graduação também participam do projeto.

O professor Manfredo explica como funciona o teste com aceleradores. Ele diz que o acelerador é como um taco de sinuca fornecendo energia para que um átomo entre em colisão com outro. Com o choque, cada elemento libera uma radiação exclusiva, uma espécie de "RG" do átomo, identificada pelos detectores que conseguem mostrar qual elemento está presente na amostra.

Atividades
No caso da arqueometria, uma das atividades do grupo, é possível, conjuntamente com outras áreas, identificar a legitimidade de obras de arte, descobrir qual sua origem e em que nível tecnológico estava a civilização que a produziu. Fernando Rodrigues, aluno de graduação e membro do grupo, exemplifica que, se antes para pintar o branco era utilizada uma tinta à base de chumbo, mais recentemente usa-se o titânio. Expondo a obra ao acelerador, é possível identificar o elemento presente na tinta. Assim, com o auxílio de outras informações, pode-se saber se o quadro é antigo ou recente, o que ajuda a verificar a autenticidade da obra.

A professora Márcia Rizzutto conta que o Museu do Louvre, na França, que usa a mesma tecnologia do IF, conseguiu descobrir a origem da estátua da deusa Ishtar, graças à identificação dos elementos-traço existentes no rubi da estátua. Elementos-traço são aqueles presentes em quantidades pequenas, e que, no caso do rubi, permitem identificar com precisão a mina de onde foi retirado.

É importante lembrar que as obras não são destruídas. Pelo contrário: não é preciso retirar amostras das peças. “Não precisamos fazer furinhos para pegar o material”, explica a professora Marcia. E, como a energia é controlada para que, diante da infinidade de átomos presente em um objeto, apenas alguns sejam excitados, as obras permanecem intactas.

O grupo também trabalha em conjunto com as ciências biológicas. O professor Nemitala cita a tese de doutorado de Jim Aburaya. Ela mostra que através da modificação de superfícies de titânio é possível construir próteses que se integrem mais rapidamente ao osso hospedeiro, como em próteses dentárias. A aluna Suene Bernardes dos Santos, que também faz parte do grupo, pesquisa elementos-traço presente no soro sanguíneo, relacionando a alteração de sua quantidade com a ocorrência de melanoma - colaborando com o diagnóstico precoce da doença.

Alunos
Outra atividade do grupo é o desenvolvimento de métodos e de instrumentação para melhorar a pesquisa e as análises atômico-nucleares de materiais. O graduando Fernando Rodrigues já participa há quatro anos e desenvolve um método que torna as técnicas de análise de amostras complexas mais confiáveis, o que facilita o trabalho de quem busca o IF.

Segundo a professora Márcia, cada vez mais cedo os alunos querem participar da pesquisa. Ela acredita que a universidade entende que o aprendizado não se restringe à sala de aula e fornece esta possibilidade através de programas como o Ensinar com Pesquisa.

O professor Nemitala conta que uma das façanhas do trabalho é a contribuição para criação de uma linguagem comum, para além das terminologias de cada área, o que promove benefícios para a ciência como um todo.

Para colidir os átomos e obter respostas são usados aparelhos complexos chamados aceleradores de partículas. O IF possui três: Pelletron, LAMFI (Laboratório para Análise de Materiais com Feixes Iônicos) e LIO (Laboratório de Implantação Iônica), que se diferenciam, basicamente, pelo tamanho e pela ordem de grandeza da energia que conseguem emitir. Assim, o potencial que cada um possui determina também qual será utilizado para que tipo de trabalho. O LIO, por exemplo, o menor entre eles, é usado para a modificação da superfície do titânio, ao passo que o Pelletron consegue testar radiação presente em dispositivos eletrônicos usados em satélites que, no espaço, estão permanentemente expostos a altas doses de radiação.

Mais informações sobre o Pelletron:http://www4.usp.br/index.php/ciencias/14494

Fonte:http://www4.usp.br/index.php/ciencias/18959-grupo-de-fisica-aplicada-com-aceleradores-usa-fisica-nuclear-em-beneficio-de-areas-como-medicina-e-arqueologia

domingo, 28 de março de 2010

LHC poderá revelar a matéria escura.(Título modificado)


Por Robert Evans
Em Genebra

A matéria escura, que os cientistas acreditam que forme até 25 por cento do universo, mas cuja existência nunca foi provada, poderá ser detectada pelo acelerador de partículas gigante da Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (Cern), disse nesta segunda-feira o diretor-geral do centro de pesquisas.

Rolf-Dieter Heuer afirmou em uma entrevista coletiva que alguma evidência da matéria poderá surgir até mesmo no curto prazo a partir do acelerador de partículas destinado a recriar as condições do Big Bang, o nascimento do universo ocorrido há cerca de 13,7 bilhões de anos.

"Não sabemos o que é a matéria escura", disse Heuer, diretor do Cern que fica na fronteira entre Suíça e França, nas proximidades de Genebra.

"Nosso Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês) poderá ser a primeira máquina a nos dar um insight sobre o universo escuro", disse ele. "Estamos abrindo a porta para a Nova Física, para um período de descobertas."

Astrônomos e físicos afirmam que apenas 5 por cento do universo é conhecido atualmente e que o remanescente invisível consiste de matéria escura e de energia escura, que formam cerca de 25 por cento e 70 por cento, respectivamente.

"Se formos capazes de detectar e compreender a matéria escura, nosso conhecimento vai se expandir para abarcar 30 por cento do universo, um enorme passo adiante", afirmou Heuer.

O LHC, a maior experiência científica do mundo centralizada num túnel subterrâneo oval de 27 quilômetros, está atualmente em atividade para, até o final do mês, colidir partículas com a maior energia já alcançada.

fonte:http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/reuters/2010/03/08/experiencia-do-big-bang-podera-revelar-a-materia-escura.jhtm

LHC fará teste com energia inédita no próximo dia 30.(Título modificado)


Em Genebra

O Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern) tentará no próximo dia 30 recriar o Big Bang que deu origem ao universo em seu Grande Colisor de Hádrons (LHC), o acelerador de partículas mais potente do mundo, informaram nesta terça-feira os pesquisadores do Cern

As partículas se chocarão com uma energia inédita de 7 teraelétron volts (TeV) dentro do túnel circular de 27 km do Cern, que se encontra enterrado 100 metros abaixo da terra, entre a França e Suíça, nas proximidades de Genebra.

"Com um feixe (no sentido inverso) de 3,5 TeV, estamos a ponto de lançar o programa de pesquisa física do LHC", indicou em um comunicado Steve Myere, diretor encarregado dos aceleradores no Cern.

"A única maneira de sincronizar os dois eixos é em si um desafio: é um pouco como lançar duas agulhas de ambos os lados do Atlântico para se choquem no meio do Oceano", assinalou.

"O LHC não é uma máquina em que basta apertar um botão", indicou o diretor-geral do Cern, Rolf Heuer. "Funciona muito bem, mas ainda está numa etapa de ajustes... Pode demorar horas e inclusive dias para obter os choques".

Os choques de prótons lançados em sentido inverno deveriam provocar o surgimento de elementares jamais observadas antes. Os investigadores do Cern buscam especialmente encontrar evidências da existência de partículas efêmeras como o bóson de Higgs, que deu a noção de massa na física teórica.

Os últimos êxitos do LHC constituem um alívio para os cientistas depois das duas avarias que o instrumento físico mais preciso do mundo depois de seu grande lançamento em setembro de 2008.

Depois de sofrer reparos durante 14 meses, o LHC foi relançado em novembro de 2009. Um mês mais tarde obteve uma potência jamais vista de aceleração de feixes de prótons de 2,36 TeV, permitindo o choque de mais de um milhão de partículas.

Se alcançar os 7 TeV, o Cern atingirá uma potência três vezes e meia maior da potência máxima de seu concorrente, o Fermilab de Chicago (Estados Unidos).

Dentro de entre 18 e 24 meses o LHC terá uma "parada técnica" de 8 a 10 meses previstos, para prepará-lo para alcançar uma potência de 14 TeV.

fonte:http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/afp/2010/03/26/lhc-tenta-recriar-o-big-bang-em-genebra-no-proximo-dia-30.jhtm